SEPTUAGINTA – Versão dos Setenta

(Fonte: Dicionário da Bíblia – John D. Davis)

Septuaginta é uma antiga versão do Antigo Testamento, feita para uso dos judeus. É a mais célebre versão das escrituras do Antigo Testamento hebraico, a mais antiga e a mais completa.

Origem do Nome Septuaginta

Porque foi feita por setenta e dois tradutores, no tempo de Ptolomeu Filadelfo.

Demétrio Falero, bibliotecário do rei Ptolomeu Filadelfo (283-247 a.C. em Alexandria) desejou adicionar à sua biblioteca de 200 mil volumes, um exemplar dos livros da lei dos hebreus em tradução grega, a fim de serem mais bem entendidos. O rei consentiu e pediu ao sumo sacerdote Eleazar em Jerusalém que lhe mandasse 72 intérpretes peritos para fazer a tradução. Estes 72 doutores, homens maduros, seis de cada tribo, chegaram a Alexandria trazendo a lei escrita com letras de ouro em rolos de pergaminho.  Foram muito bem recebidos e ficaram isolados na ilha de Faros (porto de Alexandria). Segundo o historiador Flávio Josefo eles interpretaram em 72 dias.

A tradução passou a ser conhecida como a Tradução dos 70 ou Septuaginta.

Aristóbulo, sacerdote judaico, residente em Alexandria, no reinado de Ptolomeu Filometer (182-146 a.C) diz que quando os livros hebreus foram vertidos para o grego, já existia o Pentateuco em grego sob a direção de Demétrio Falero no reinado de Ptolomeu Filadelfo.

Provavelmente, os 70 verteram o Pentateuco, e os demais livros foram sido traduzidos gradualmente e a obra ficou completa no ano 150 a.C.

Cristo e os apóstolos frequentemente usavam a versão dos 70, algumas vezes usavam o texto hebreu.

O eunuco que Filipe encontrou lendo as Escrituras, lia a versão grega.

Houve 3 principais revisões da Septuaginta:

  • Por Orígenes, na Palestina, no ano 236 a.D.
  • Luciano, na Ásia Menor, em Constantinopla, ano 311 a.D.
  • Hesíquios, no Egito, ano 311 a.D.

O manuscrito dos Setenta está no Vaticano, considera-se o mais perfeito de acordo com o texto original.

Nos Primeiros séculos da Era Cristã  estava em uso até 4 traduções ou versões gregas do Antigo Testamento e várias traduções de ambos testamentos em latim, arameo e outros idiomas.

Na Idade Média, as autoridade eclesiásticas não permitiram fazer revisões, de modo que a VULGATA (latina para o povo) e a PESHITA (tradução aramea ou simples) gradualmente deixaram de ser entendidas.

Casidoro de Reina fez a primeira tradução de toda a Bíblia ao castelhano baseado nos idiomas originais em 1569.

Cipriano de Valera fez a primeira revisão em 1602, que foi publicada com seu nome.

Durante 300 anos, sua obra e as revisões seguintes levaram somente o nome Valera.

Foi a partir do século XX, que as publicações passaram a ser chamadas Reina-Valera.

E muitas Revisões foram feitas em : 1602 – 1862 – 1865 – 1874 – 1883 – 1890 – 1909 – 1960 – 1977 …

VULGATA

Padre Jerônimo, 331 a 420 a.D. a pedido do Bispo de Roma, Damaso, empreendeu uma revisão do Novo Testamento latino.

Em 387, Jerônimo se dispôs a fazer uma revisão da Bíblia inteira. Foi para um mosteiro em Belém, onde começou e terminou sua obra.  Fez versões diretamente do hebreu e referiu-se constantemente à versão grega, Septuaginta.

A Vulgata passou a ser a Bíblia na Idade Média e da Igreja Católica.

Em 802, o imperador Carlos Magno ordenou Alcuíno a fazer uma revisão. Foi a primeira obra impressa, após a invenção da Tipografia. Sua edição ocorreu no ano 1455.

Em 8 de abril de 1546, o Concílio de Trento resolveu que se fizesse uma nova revisão.

Em 1902, a Sociedade Bíblica Americana, a Sociedade Bíblica Britânica nomearam uma comissão para fazerem estudos pela crítica científica da  versão do hebraico, do grego, dos manuscritos, saindo em 1917 – A Bíblia.

APÓCRIFOS

(Fonte:  Dicionário da Bíblia, John D.Davis, p.44).

Apócrifo, do grego apokrypha, que significa escondido, foi o nome usado pelos escritores eclesiásticos para determinar:

  1. Assunto secreto ou misterioso.
  2. Origem ignorada, falsa espúria.
  3. Documentos não canônicos.

Tecnicamente são 16 os livros apócrifos:

I e II Esdras, Tobias, Judite, O Repouso de Ester, A Sabedoria de Salomão, O Eclesiástico, Baruque, Epístola de Jeremias, O Cântico dos 3 Mancebos, A História de Susana, Bel e o Dragão, A Oração de Manassés, I,II,III e IV Macabeus.

Os livros do Antigo Testamento hebraico, contém alguns versículos em aramaico.

Os livros apócrifos estão escritos em grego, exceto Judite, Eclesiástico, capítulo 1 a 3.8 de Baruque  e I Macabeu, estão escritos em hebraico.

A Igreja Judaica negava a inspiração deles e os próprios autores não pretendiam ser inspirados (Prólogo de Eclesiástico, I Macabeu 4.46, 9.27 e II Macabeu 2.23, 15.38).

O livros apócrifos:

  • Não se encontram no cânon hebreu.
  • Nunca foram citados por Jesus.
  • Os apóstolos nunca fizeram referências diretas a eles.

Em 1562, a Igreja da Inglaterra declarou que estes livros podem ser lidos como exemplo, mas não reconheceu sua autoridade doutrinária.

Em 1643, a Confissão de Westminster declarou que os livros apócrifos “não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura, e portanto, não são de autoridade na Igreja de Deus, e que não tem mais valor do que quaisquer outros livros de humana produção”.

Concílio de Trento, sessão de 15 de abril de 1546

Nessa sessão, o concílio decretou que 11 dos 16 livros apócrifos são canônicos, a saber: Tobias – Judite – Sabedoria – Eclesiástico – Baruque – I e II Macabeu – Repouso de Ester, no livro de Ester – No livro de Daniel, incorporou 3  Histórias: Susana, 3 Mancebos, Bel e o Dragão.

Este concílio pronunciou anátema qualquer que contrariasse suas decisões, desde então, essa é a crença da Igreja Católica.

Entre 1821 a 1826 houve séria controvérsia, que resultou na exclusão de todos os livros apócrifos das edições publicadas da Bíblia pela Sociedade Bíblica de Londres.

Um pequeno resumo dos livros apócrifos.

I Esdras

Forma grega de Ezra, o livro narra o declínio  e a queda do reino de Judá desde o reinado de Josias até a destruição de Jerusalém.  O cativeiro de Babilônia, a volta dos exilados e a parte que Esdras tomou na reorganização política de Israel.  O historiador Flávio Josefo é o continuador de Esdras.

Ignora-se o tempo e o autor.

II Esdras

Tratado religioso. O assunto central tem como objetivo registrar as 7 revelações de Esdras em Babilônia, algumas tomaram forma de visões.  Provavelmente escrito por um judeu cristão.

Tobias

É um conto moral e não uma história real.  

Data: 350 ou 250 a 200 a.C.

Judite

Narrativa com pretensão histórica, porém cheia de incorreções, anacronismos e absurdos geográficos.  Talvez seja inspirado em Juízes 4.17-22 (história de Jael e Sísera).

Data: 175 – 100 a.C.

5 capítulos de Ester

O livro canônico termina no capítulo 10.

Amplifica partes da narrativa da Escritura, sem fornecer novo fato de valor, e em alguns lugares contradiz a história como está narrado em hebraico. A opinião geral é que o livro foi obra de um judeu egípcio no tempo de Ptolomeu Filometer.

Data: 181-145 a.C.

Sabedoria de Salomão

Tratado de Ética.  Recomenda sabedoria, retidão, condena iniquidade e idolatria. Escreve em nome de Salomão.

Data: 150 e 50 ou 100 e 80 a.C.

Eclesiástico

Denominado também de Sabedoria de Jesus, filho de Siraque. Contém 51 capítulos. Escrito em hebraico. O grande tema é a Sabedoria. Valioso tratado de Ética. Abreviatura: Eclus.

Data: 290 ou 280 a.C.

Baruque com a Epístola de Jeremias

Baruque era amigo de Jeremias. Os primeiros 5 capítulos é Baruque. Data: 300 a.C.

A partir do capítulo 6 é Jeremias. Data: 100 a.C.

Assunto: Confissão dos pecados de Israel, orações, motivação e promessa de livramento.  Jeremias exorta os judeus no exílio a evitarem a idolatria.

Cântico dos 3 Mancebos

Autor e data ignorados, acrescido ao livro de Daniel.

A História de Susana

Também acrescido ao livro de Daniel. Data e autor ignorados.

Bel e o Dragão

Outra história acrescentada ao livro de Daniel. Ignora-se autor e data.

Oração de Manassés

Rei de Judá, cativo em Babilônia. Autor desconhecido. Data: 100 a.C.

I Macabeus

Tratado histórico de grande valor.

Relatam-se acontecimentos políticos e os atos de heroísmo da família levítica dos Macabeus, durante a guerra da Independência Judaica (século 2 a.C.). Traduzido do hebraico para o grego.

Autor: desconhecido.

Data – 1-5 a 64 a.C.

II Macabeus

Trata da História Judaica, desde o reinado de Seleuco IV até a morte de Nicanor (174-161 a.C.).  É obra menos importante que I Macabeus, devido as fantasias em prejuízo ao seu crédito.

Autor:  Jason de Cirene

Data: depois do ano 125 a.C. e antes da tomada de Jerusalém no ano 70 a.D.

III Macabeus

Anterior à guerra de Independência Judaica. Data: 39-40 a.D.

IV Macabeus

Tratado de Moral. Escrito depois de II Macabeus e antes da destruição de Jerusalém.

Desejo que este pequeno resumo histórico possa trazer luz aos leitores.

Publicado em 14/08/2017 – http://dinaaguiar.blogspot.com/2017/08/a-biblia-pequeno-resumo-historico.html

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